Estratégias de investimento para depois do Copom

Existe consenso de que a taxa Selic será novamente reduzida na reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) marcada para semana que vem.

O grande desafio, entretanto, é estimar por quanto tempo os juros permanecerão baixos e tentar estabelecer, com alguma segurança, as estratégias de investimento mais adequadas para o futuro. Para essa tarefa, o investidor pode buscar pistas avaliando as notas das reuniões do Copom, as projeções divulgadas no boletim do Focus e os indicadores do mercado de juros.

Essas três fontes de informação reúnem, respectivamente, a visão da autoridade monetária, as projeções dos economistas das instituições financeiras e as apostas dos operadores para o comportamento do preço dos ativos de renda fixa. A avaliação conjunta desses diferentes pontos de vista aumenta as chances de se conseguir uma boa rentabilidade para as aplicações.

Sem destino certo

Evolução da taxa Selic entre novembro/07 e outubro/17

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Fonte: Banco Central

A última comunicação do Banco Central diz, resumidamente, que a economia está operando com alto grau de ociosidade, o cenário econômico internacional é estável, a inflação corrente está controlada e as projeções para a inflação futura estão abaixo da meta. São essas as razões que tem orientado os cortes na taxa Selic nos últimos meses.

Por seu turno, a média da opinião dos economistas reunida no mais recente boletim Focus aponta para inflação de 4,02% em 2018, com crescimento econômico de 0,73% neste ano e de 2,58% no ano seguinte. No setor externo, as projeções são de saldo ligeiramente deficitário nas transações correntes, mas com superávit comercial e entradas significativas de investimentos estrangeiros diretos no país em 2017 e 2018.

Se o cenário previsto pelos economistas se concretizar, a taxa Selic continuará baixa e a cotação do dólar frente ao Real tende a ficar estável. O esperado crescimento econômico é positivo para o mercado de ações.

E para avaliar as apostas dos operadores, a Anbima, a associação das instituições financeiras, calcula e divulga o que no jargão de mercado é chamado de estrutura a termo das taxas de juros.

Trata-se de um modelo estatístico que tem como objetivo estimar a remuneração esperada para operações prefixadas e indexadas ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em diversos prazos. O parâmetro utilizado é o rendimento de mercado dos vários títulos públicos em circulação.

Os resultados encontrados são transformados em uma equação e representados graficamente. Devido ao formato curvo da linha do gráfico que relaciona cada período com o respectivo rendimento, a estrutura a termo das taxas de juros também é chamada de curva de juros.

Em função dos prazos de vencimento dos títulos, a estimativa para operações prefixadas está limitada a 2.268 dias úteis, que é equivalente a nove anos, assumindo que um ano possua 252 dias úteis. Já para as aplicações indexadas ao IPCA, as estimativas chegam até a 9.324 dias úteis, ou 37 anos.

Os cálculos para as taxas prefixadas descrevem uma linha decrescente e depois ascendente conforme o prazo da aplicação. Os juros são de 7,26% ao ano para resgate em até 21 dias úteis, caem para 6,70% ao ano para vencimentos de 126 dias úteis e começam a subir até atingir 8,23% ao ano para operações de dois anos, 9,15% ao ano para três anos e 10% ao ano para cinco anos.

Já para as aplicações indexadas, a taxa começa em IPCA mais 2,36% ao ano para negócios com resgate em um ano, IPCA mais 4,18% ao ano para vencimento em 3 anos e 4,78% ao ano para cinco anos. Para 10 anos a taxa é de IPCA mais 5,21% ao ano e permanece aproximadamente neste patamar para todos os demais vencimentos.

Outro parâmetro fornecido pela curva de juros é a chamada inflação implícita. Trata-se da diferença entre a taxa prefixada estimada para um determinado período e o juro dos títulos em IPCA com o mesmo prazo de vencimento.

A ideia é comparar a inflação implícita com as estimativas dos economistas. Conforme o caso, é mais rentável investir nos títulos prefixados ou indexados ao IPCA.

Nos últimos 10 anos, entre dezembro de 2007 e novembro de 2017, a taxa Selic oscilou entre a mínima de 7,25% ao ano até a máxima de 14,25% ao ano. No período entre julho de 2008 e maio de 2015, a variação acumulada do CDI em períodos de cinco anos foi menor que 10% ao ano, o atual patamar da taxa prefixada.

Todos esses cálculos possuem um objetivo comum: fornecer os parâmetros para avaliar o potencial de ganhos e perdas das estratégias de investir em títulos atrelados ao CDI, indexar as aplicações ao IPCA ou arriscar no prefixado ou na renda variável.

Conforme o cenário e a tolerância ao risco de cada investidor, as estratégias mais eficientes podem ser estabelecidas.

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