Mais duas altas de 0,5 para a Selic

A alta do dólar e o provável aumento do preço dos combustíveis irão pressionar a inflação. Como consequência, é possível que o Comitê de Política Monetária (Copom) promova mais dois ajustes de 0,5 ponto percentual na taxa Selic. Essa, pelo menos, é a sinalização dada pelas taxas das operações compromissadas de 90 dias realizadas pelo Banco Central (BC).

Nos negócios contratados durante a semana dos dias 5 a 9 de agosto, a indicação era de probabilidade de aproximadamente 50% para uma alta da taxa Selic de meio ponto percentual na reunião do Copom dos dias 9 e 10 de outubro. O cenário alternativo é de aumento menor, de 0,25 ponto percentual. 

Nas operações da semana seguinte, entre os dias 12 e 16 de agosto, as perspectivas do ajuste maior foram consolidadas. Agora parece haver consenso sobre a necessidade da alta de 0,5 ponto.

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O cenário básico, por enquanto, é de Selic a 9,5% ao ano no último trimestre de 2013.

Mais dois aumentos da Selic

Ações formais e informais do Banco Central sinalizam para mais duas altas da taxa Selic, a serem confirmadas após as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) de agosto e outubro. A elevação de 0,5 ponto percentual ao fim do próximo encontro do Copom parece certa. A dúvida é sobre o aumento a ser decidido na reunião de outubro.

A taxa das das operações compromissadas realizadas pelo BC indicam 50% de chance de um aumento de 0,5 ponto percentual em outubro e a mesma probabilidade de alta mais moderada, de 0,25 ponto percentual. No fim do atual ciclo de aperto monetário, a Selic saltaria dos atuais 8,5% ao ano para a faixa entre 9,25% e 9,5% ao ano.

Esclarecimentos informais sobre as principais preocupações do BC, conforme relatados pelo repórter Cristiano Romero, do Valor, apontam para a redução da liquidez internacional e a possível redução dos estímulos monetários do Fed, o banco central americano. Nesse cenário, a pressão de maior desvalorização do Real frente ao dólar continuaria e os efeitos sobre a inflação seriam incertos.

A ação mais prudente para o BC, portanto, seria seguir com a elevação da Selic. Mesmo com os efeitos colaterais sobre a atividade econômica. Ao que tudo indica, o BC quer manter a diferença entre a Selic e a inflação no menor patamar possível.

A inflação acumulada em 12 meses no mês de agosto de 2013 chegou a 6,3%. No mesmo período do ano passado ela foi de 5,2%. O pior cenário para o BC é a inflação é a inflação ultrapassar o teto da meta de 6,5%, como aconteceu nos 12 meses  encerrados em agosto de 2011. Naquela época, para domar a inflação, o BC foi obrigado a levar a taxa Selic para 12,5% ao ano.

Ainda é preciso esforço para combater a inflação

IPCA em 12 meses e meta para a taxa Selic nos meses de agosto – em %

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Fonte: Banco Central

Resta saber se o BC terá ajuda das demais áreas do governo para conduzir o esforço de controle da alta dos preços.

Opções para estimar os rumos da taxa Selic

Previsões sobre a tendência das taxas de juros feitas por especialistas vinculados ao mercado financeiro quase sempre provocam reações extremadas. A crítica mais frequente é a falta de isenção na divulgação das análises.

A percepção é que, para qualquer instituição financeira, quanto maior os juros, melhor. Assim, as previsões de bancos e corretoras refletiriam, na verdade, o interesse de que as taxas fossem sempre mais altas.

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O fim dos juros baixos no Brasil?

Enquete do Valor com analistas ligados ao mercado financeiro mostra resultado surpreendente: apenas oito dos 35 especialistas consultados esperam que a taxa Selic esteja abaixo de 8,25% ao ano em dezembro de 2014, daqui a 20 meses. Hoje o juro básico é de 7,25% ao ano.

Analistas erram com frequência, mas as projeções são importantes para a coordenação das expectativas. Levantamento de Angela Bittencourt, João José de Oliveira e Lucinda Pinto aponta que a opinião mais frequente é a de que os juros não deverão subir no curto prazo. Em compensação, a maioria acredita que, após o início do ciclo de alta, o Banco Central irá manter as taxas elevadas por longo período.

 

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