Composição da carteira, riscos e controle de custos

Existem três maneiras fundamentais para rentabilizar as aplicações: escolher a composição da carteira de modo eficaz, arriscar nos momentos certos e controlar os custos.

Os investidores de maior sucesso buscam pinçar as estratégias mais eficientes para cada alternativa. E cada vez mais podem contar com os gestores de recursos profissionais que se dedicam a elaborar instrumentos variados e empacotá-los com nomes chamativos. Produtos como “alfa portátil”, “beta esperto” e carteiras indexadas com baixo custo administrativo são alguns exemplos de estratégias que estão à disposição dos clientes. Foram lançados nos mercados desenvolvidos e, aos poucos, começam a crescer no Brasil.

Para entender o conceito, imagine um fundo de ações ideal que possua uma correlação perfeita com o índice Bovespa e consistentemente supere o indicador. A consequência é que o ganho desta carteira hipotética será sistematicamente maior do que a variação da própria bolsa, mas mantendo o mesmo nível de risco.

Para conseguir esse desempenho, o gestor do fundo teria que escolher sempre as ações mais rentáveis a cada intervalo de tempo. Nos períodos de alta da bolsa, a carteira seria composta pelos papéis que mais subiram. Nos momentos de baixa, pelos que menos caíram.

Ainda no campo teórico, é possível descrever matematicamente o comportamento deste fundo, separando o retorno em dois componentes. O primeiro é dado pelo multiplicador sobre a variação do Ibovespa. O segundo é um adicional inerente ao fundo, mas sem vínculo com o comportamento do mercado.

O primeiro parâmetro é chamado de “beta” e o segundo de “alfa”. O retorno da carteira em determinado período é igual ao beta multiplicado pelo retorno do índice Bovespa somado ao parâmetro alfa.

Se o beta da carteira for igual a 1, significa que o risco do fundo é igual ao risco da bolsa. Isso porque as oscilações da carteira e da bolsa são iguais. É o caso do exemplo hipotético.

Se o beta for maior do que 1, a explicação é que a carteira varia mais do que o mercado acionário. Como resultado, a aplicação é mais agressiva, com ganhos e quedas mais acentuados. Já se o beta for menor do que 1, esse fundo é conservador. Ele não acompanha os altos e baixos da bolsa de valores com a mesma intensidade.

O fundo ideal possui beta igual a 1 e alfa positivo. Significa que assumindo o mesmo risco de mercado o investidor consegue retorno acima do índice de referência.

ArteAlfaSmart

O alfa também pode ser negativo. Isso ocorre, por exemplo, se a taxa de administração do fundo é muito alta. Os fundos DI oferecidos pelos bancos de varejo são exemplos de carteiras com alfa negativo.

O fundo tem uma correlação perfeita com o parâmetro de referência, a variação do certificado de depósitos interfinanceiros (CDI). Mas rende consistentemente menos.

A estratégia “alfa portátil” foi criada com o objetivo de combinar as oportunidades da gestão ativa com o a maior previsibilidade dos fundos indexados a um determinado índice do mercado. A ideia básica é transportar para a carteira indexada o alfa obtido em outro mercado.

Considere um gestor extremamente eficaz em operações de renda fixa. Por meio da administração dos prazos de vencimento dos títulos e do risco de crédito dos papéis em carteira, esse gestor consegue ganhos consistentemente acima da taxa básica de juros. O gestor pode usar o mercado de derivativos com o objetivo de trocar a rentabilidade de seu fundo de renda fixa para o índice Bovespa, por exemplo. Na prática, a carteira de renda fixa é transformada em um fundo de ações.

No entanto, o ganho adicional obtido na renda fixa é mantido no fundo. Como resultado, o rendimento total da carteira é igual à variação do Ibovespa mais o ganho extra nas operações de renda fixa.

A estratégia “beta esperto”, por sua vez, envolve combinar as ações que compõem um índice de maneira mais eficiente. O argumento é que os indicadores que levam em conta a participação do valor de mercado da companhia na ponderação do índice tendem a dar peso maior às ações mais caras e pesos menores às ações mais baratas.

Existem formas de rearranjar os papéis, de modo a evitar a concentração nas ações com menor potencial de ganho (mais caras), mas mantendo mesmo nível de risco do índice original. No longo prazo, seria possível obter ganhos mais elevados, sem aumentar o risco demasiadamente.

A ideia comum das estratégias de investimento mais elaboradas é conciliar o retorno potencial adicional com o risco assumido. Se isso não for possível, o mais sensato para o investidor é reduzir o custo da gestão das aplicações, mantendo a diversificação. A compreensão precisa da estratégia adotada é uma tendência no Brasil e fundamental para o sucesso dos investimentos.

2 thoughts on “Composição da carteira, riscos e controle de custos

  1. Muito interessante o artigo e as estratégias. Imagino que a grande dificuldade seria acompanhar se o gestor está mesmo aplicando essas estratégias (ou se a performance é a esperada) já que as mesmas são de certa forma sofisticadas. Existe alguma regulação neste sentido? Esses fundos “alfa portátil” e “beta esperto” são classificados como fundos de ação ou multimercados?

  2. Essas estratégias estão começando no Brasil. A vantagem dessa abordagem é que é uma mistura de gestão passiva e ativa, o que aumenta a previsibilidade do desempenho para o investidor. Os fundos ativos dão muita liberdade ao gestor. Os passivos são muito engessados.

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