Diversificação é recomendável, mas prudência é essencial

Combinar a rentabilidade da aplicação com a segurança de embolsar o rendimento pactuado é a preocupação de todos que resolvem poupar para a aposentadoria.

Gestores profissionais de patrimônio têm um desafio adicional. Como administram recursos cujo objetivo é formar uma reserva para garantir a aposentadoria futura de milhares de trabalhadores, precisam equilibrar o retorno esperado da carteira com o fluxo de pagamentos previstos para quitar os benefícios programados.

Na essência, a ideia é simples. Quanto maior o valor da aposentadoria, maior deverá ser o montante acumulado durante os anos de trabalho.

Os gestores de fundos de pensão e previdência buscam equilibrar o fluxo de todas as contribuições ao longo do tempo com o total dos gastos com benefícios futuros.

O valor da aposentadoria depende do esforço de poupança do trabalhador e da taxa de juros que o gestor conseguir para os investimentos. Esse é o fundamento de todo plano de previdência, mas que muitas vezes não fica claro para o participante.

Nos fundos de aposentadoria do tipo benefício definido, o patrocinador garante o valor das aposentadorias. Eventuais deficit são administrados pela instituição responsável pelo plano. É o caso da maioria dos fundos de pensão e de todos os RPPS (regimes próprios de previdência social) que investiram em ativos originados pelo BVA.

Os prováveis prejuízos serão cobertos pelas empresas patrocinadoras dos planos ou por Estados e municípios.

Ao que tudo indica, a lógica do investimento em papéis do banco foi diversificar a carteira para conseguir retorno mais elevado. E a justificativa foi a queda das taxas de juros devido ao aumento da estabilidade da economia.

Em alguns casos, a concentração foi maior do que a média do mercado. Segundo informações do Ministério da Previdência, são cerca de R$ 3,5 bilhões de recursos investidos em fundos de direitos creditórios e de crédito privado, modalidades mais arriscadas nas quais se enquadram os títulos do BVA.

Em relação ao total dos RPPS, o montante representa 5% dos investimentos em renda fixa. Os institutos de Manaus, Rolim de Moura (RO) e Senador Canedo (GO), por exemplo, investiram mais de 10% das carteiras no BVA.

Diversificação das aplicações é sempre recomendável, mas a prudência na gestão dos recursos de milhares de trabalhadores é essencial para o equilíbrio do sistema de previdência no longo prazo.

Texto publicado originalmente na edição de 19/01/2014 do jornal Folha de São Paulo

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