A fórmula para ganhos no semestre

Posições em ações da Kroton, Cielo e BB Seguridade e aplicações nos títulos públicos federais de longo prazo, especialmente nas Notas do Tesouro Nacional da série B (NTN-B), fizeram parte do “kit gestão ativa” dos fundos de investimento agressivos com melhor desempenho no primeiro semestre de 2014.

É o que mostra a análise da composição das carteiras mais rentáveis no período. E justifica a rentabilidade confortavelmente mais elevada de alguns fundos em relação aos principais parâmetros de referência do mercado.

Entre janeiro e junho de 2014, os papéis da Kroton renderam 59%, Cielo ganhou 41% e BB Seguridade subiu 36%. O IMA-B5+, que acompanha os rendimentos das NTN-Bs com prazo de vencimento acima de cinco anos, registrou variação de 11% no período.

Em contrapartida, as aplicações no exterior, que durante bom tempo vinham proporcionando ganhos expressivos para os gestores ativos, foram prejudicadas pela desvalorização do dólar. A alta de 6% do índice S&P 500, que levou a bolsa americana a níveis recordes, foi anulada pela alta do Real no semestre.

Foi um período de escolhas difíceis para os investidores. Apenas uma de cada quatro carteiras agressivas conseguiu superar o CDI. Em compensação, somente os 25% piores fundos proporcionaram retorno negativo aos cotistas. Metade das carteiras, portanto, registrou ganhos medianos.

O desempenho geral dos gestores reflete as incertezas relacionadas com os rumos da economia brasileira. E torna cada vez mais evidente que, na conjuntura atual, não existem apostas certeiras, com potencial de proporcionar ganhos elevados e margens seguras contra eventuais perdas.

É um importante alerta para quem acredita que a alta da bolsa dependerá apenas do resultado das futuras pesquisas eleitorais. Os diversos problemas que impedem que a economia brasileira deslanche precisam ser efetivamente resolvidos.

Na relação completa dos desempenhos das carteiras no semestre, também chama a atenção os gestores que não aparecem nas primeiras colocações. Alguns grandes fundos, que no passado demonstraram capacidade de superar as adversidades e acabaram premiando os investidores com ótima rentabilidade, tiveram retorno ruim no período recente.

As posições defensivas desses fundos podem proporcionar ganhos no futuro. Muitas vezes, uma sólida visão de longo prazo pode ser mais rentável do que estratégias que premiam o giro excessivo da carteira no curto prazo.

Para o investidor, o importante é manter uma carteira de fundos diversificada. O passado demonstra que essa tem sido uma boa opção. Principalmente quando os gestores possuem uma visão clara das estratégias de investimento que estão perseguindo.

É pouco provável que o atual “kit gestão ativa”, que gerou ganhos significativos no semestre passado, proporcione os mesmos resultados no futuro. Os melhores gestores devem testar novas estratégias.

Existem hoje no Brasil quase 15.000 fundos, a maioria com propostas de gestão ativa. No entanto, apenas uma pequena parcela está efetivamente disponível para o público em geral.

Os rankings que listam os fundos com os melhores desempenhos são ferramentas importantes para a seleção de carteiras. Mas é fundamental que sejam usados com critério. Nada substitui o empenho em conhecer as estratégias de investimento que poderão gerar os resultados positivos no futuro.

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